agosto 17

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Depressão: será a doença mais comum do mundo em 2030

By Solange Gomes

agosto 17, 2022


Ninguém imaginaria que o ator carismático, que representou no cinema personagens comoventes e cômicos, sofresse de um mal que o levou a se matar, a depressão.

O norte-americano Robin Williams não está sozinho quando o assunto é a doença. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) estimam que nada menos que 350 milhões de pessoas sofrem do mal e no Brasil as estatísticas também apontam que o distúrbio é uma realidade para pelo menos 10% da população. É um sério problema de saúde pública. A OMS indica que até 2030 essa será uma das doenças mais corriqueiras em todo o mundo. Nos últimos 16 anos, as mortes por causa da doença cresceram 705% no país.

O maior problema é que a depressão é insidiosa. Ela, geralmente, se instala lenta e gradativamente. É por isso que muitos têm a sensação de que “eu sou assim mesmo”. É fácil, neste contexto, acrescentar o preconceito e o desconhecimento sobre a depressão, mas que levam os doentes a não procurarem ajuda. E, também, as pessoas próximas – por desconhecerem os sinais indicadores – confundem nossas atitudes com um jeito de ser, com: irritabilidade, descrença, mal humor, pessimismo, dores no corpo e cabeça, desânimo, sentimento de culpa e frieza.

Acredito que é, na verdade, por desconhecimento que ignoramos os principais alertas sobre a evolução de um quadro de depressão. Ninguém quer, ou imagina, que um ente querido está refém deste mal. Por outro lado, no ranking mundial das consequências da doença, o Brasil fica em oitavo lugar em números de suicídios.

Doença como outra qualquer

Esse dado é um percentual perigoso, porque aponta que muitos que estão lutando contra a doença não estão conseguindo vencer a batalha. Talvez o maior problema seja de ordem cultural, já que as pessoas não enxergam a depressão como uma doença como outra qualquer de ordem física.

Sim, é verdade. Grande parte da população acredita que a depressão é uma questão de vontade pessoal, de “vergonha na cara”.

É fato que se há uma dor na perna, na cabeça ou quando o colesterol está desequilibrado o médico é procurado e um tratamento, iniciado. Mas a depressão não é encarada como doença, ainda que o tratamento tenha uma taxa de cura maior do que 75%.

Causas da Depressão

A pergunta mais recorrente quando se trata de depressão está relacionada às causas da doença. A listagem é grande e complexa. E mais, nem sempre é fácil de aceitar.

Sim, digo que nem sempre é fácil de aceitar, pois acreditamos que é um problema pessoal, ou pior, de que a pessoa não faz o suficiente para sair da depressão. Mas eu afirmo: “muitas vezes observamos o problema de superfície, deixando o real motivo escondido”.

A sociedade não entende que a depressão pode ser uma consequência do esgotamento físico ou mental. Não estamos preparados para creditar ao modelo de desempenho máximo as mazelas do corpo e da mente.

É verdade! A depressão pode ser desencadeada tanto por fatores genéticos quanto pelo esgotamento da energia do corpo.

É bom saber que perdas ou dificuldades em lidar com momentos estressantes ou traumáticos – que tanto podem ser na idade adulta quanto na fase infantil – também podem desencadear a depressão. Problemas hormonais muitas vezes provocam a doença, da mesma forma que o uso de drogas e álcool.

Em resumo, a depressão é resultado de desgaste: físico, mental e ou emocional. Saiba que a privação do sono (dormir pouco) pode desencadear um a depressão silenciosa.

Você sabia que precisamos dormir para que nosso cérebro se recomponha e processe os acontecimentos do dia? É nesta hora que o corpo entra em repouso e que as mudanças que requeiram grande adaptação acontecem.

E digo mais. Sim, assumo o risco de ser criticada, mas é claro que o mundo demanda muito e não retribui com espaço. Antigamente a família era como um clã, um núcleo onde a mãe tinha ajudantes. Imagine um momento onde era possível descansar sem culpa.

Mas hoje a coisa é diferente. Todos possuem milhares de obrigações, centenas de desafios. Cuidar dos rebentos é considerado luxo.

É neste contexto que a depressão é documentada. Poderíamos dizer que tem relação direta com a energia elétrica (1180 AC) – uma vez que nos permite ficarmos plugados dia e noite, disponíveis 24h por dia, mas basta observar o volume de informações que precisamos processar diariamente.

Atenção!

Nem sempre ficar atento aos primeiros sinais da depressão é tarefa fácil para quem está sofrendo da doença. Pior ainda para os familiares e amigos. A depressão tem uma série de sintomas que tanto podem ser físicos como psicológicos.

  • Tristeza excessiva, daquela que se estende por vários dias, semanas ou meses;
  • Sensação de culpa;
  • Pensamentos ruins, desânimo ao levantar;
  • Sentimento de menos valia (sou pior que os outros),
  • Falta de energia
  • Desinteresse por coisas que antes gostava
  • Alterações de humor que vão da irritabilidade à apatia extrema
  • Pensamentos constantes relacionados à morte ou ao suicídio

Os sintomas físicos também ficam aparentes, como: alterações de apetite, couro cabeludo dolorido, intestino irritado, dores nas juntas, mal estar geral com dores no corpo e de cabeça constantes, aperto e sensação de abafamento no peito, diminuição da libido, insônia ou sonolência em excesso.

Preconceitos

Ao ver alguém próximo com algum, ou muitos desses sintomas, o melhor é se despir de qualquer preconceito. Cerca de 20% da população brasileira, ou mais de 40 milhões de pessoas, já tiveram, pelo menos uma vez, a doença. A depressão acomete pessoas de diferentes classes sociais, etnias e gênero.

Muitas pessoas acreditam que uma boa conversa para reverter o distúrbio. Mas, a verdade é outra. Não é frescura, a pessoa não está louca. Ela está passando por uma fase em que precisa de apoio especializado e também de parentes, amigos e pessoas próximas.

Tratamento

Como em qualquer outro distúrbio, quanto mais cedo melhor. Se a depressão estiver instalada pode ser necessária a aplicação de sessões de psicoterapia para promover uma mudança comportamental, uma mudança de paradigmas que alimentam a doença. Dependendo do contexto, o auxílio medicamentoso pode ajudar.

É comum imaginar que a pessoa não precisa de ajuda profissional. Porém o acompanhamento de um psicoterapeuta e, em alguns casos, de um médico é indicado.

É preciso que a pessoa consiga refletir sobre a sua atual condição e também descobrir quais foram os fatores desencadeantes para, a partir daí, começar a tratá-los. Só assim, haverá o equilíbrio e a volta gradativa da normalidade e consequente alegria em viver.

Constelação Familiar

Um dos métodos que mais têm surtido efeito no tratamento da depressão é a Constelação Familiar.

A ideia é a de que muitos dos bloqueios e medos que enfrentamos no decorrer da vida estão, em verdade, relacionados a uma geração ou membro da nossa família. Por isso, de forma inconsciente, podemos incorporar em nossas vidas, sentimentos, comportamento e conceitos que são da nossa árvore genealógica, mas que no aqui e agora já não são mais funcionais e acabam por colaborar no adoecimento.

Por meio da Constelação Familiar podemos representar nossas relações e sanar dificuldades interpessoais. Podemos honrar o passado, ao invés de nos iludirmos. Podemos elaborar os fatos reais, ao invés de fatos imaginários. Por meio desta técnica podemos observar a realidade e, assim, construir um futuro melhor, leve e verdadeiro.

Solange Gomes

Sobre Solange

Mestra em psicologia, neuropsicóloga, psicóloga hospitalar, psicodramatista Didata-Supervisora, terapeuta familiar, especialista em Constelação Familiar Sistêmica e na técnica de tratamento do trauma (EMDR).

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